Rogue One: Uma História Star Wars | A Força está na ambientação

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Os filmes da franquia Star Wars se passam em diferentes sistemas solares, planetas, luas, cidades e épocas, explorando o rico universo criado por George Lucas. O que os melhores deles têm em comum é o ritmo da narrativa, sempre empolgante, equilibrando bem a ação e o desenvolvimento de personagens. Rogue One: Uma História Star Wars acerta ao renovar nosso interesse pela galáxia de Lucas, mas falha por não apresentar personagens tão interessantes quanto os cenários que os rodeiam.

Com roteiro de Chris Weitz  e Tony Gilroy, Rogue One narra eventos anteriores aqueles vistos em Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança, tendo como ponto principal da trama o roubo dos planos da Estrela da Morte. Isso de cara apresenta um empecilho em termos de roteiro: o longa é uma prequel, então já sabemos com bastante antecedência qual será o desfecho da história. Como manter o espectador interessado num filme cujo final ele muito provavelmente já conhece? Os roteiristas escolheram apostar num ritmo acelerado, deixando de lado a criação de personagens minimamente complexos, um erro que permeia todo o longa-metragem.

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Esse erro transborda na direção de Gareth Edwards, que transborda no fraco desempenho dos atores. Profissionais consagrados, como Felicity Jones e Forest Whitaker, têm pouco o que fazer com seus personagens pois, de fato, não há muito com o que trabalhar. Jyn Erso, a protagonista do filme interpretada por Jones, só consegue esboçar alguma emoção verdadeira em umas poucas cenas. Mas a situação é ainda pior com os coadjuvantes. Rótulos de “atirador casca-grossa”, “religioso inveterado”,  “extremista” e “piloto” é o máximo que alguns personagens conseguem em termos de desenvolvimento. O que é uma pena, dado o bom histórico que a franquia Star Wars tem nesse sentido além de ser algo visto recentemente com O Despertar da Força.

Verdade seja dita, Rogue One é estruturado de uma maneira para que o espectador dê pouca atenção aos personagens e fique de olho no universo que os cercam. É essa a verdadeira força do filme. O clima mais sombrio, ideal para retratar uma galáxia ainda sob forte domínio do Império, é bem aplicado através da fotografia escura de Greig Fraser, do design de produção e dos figurinos (em nenhum outro filme da franquia há tantas vestimentas pretas). A escolha de Edwards para a direção se mostra acertada, pois o cineasta é eficiente ao dar verossimilhança às cenas de ação com o uso eficiente e moderado de shaky cam. Também é interessante vê-lo fazer uso do senso de escala para dar a dimensão do poder do Império, assim como Lucas fez no filme original de 1977. Star Destroyers e AT-ATs nunca pareceram tão ameaçadores, e a pequenez dos protagonistas diante da grandeza imperial torna emocionantes as cenas de conflito entre os grupos.

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Falando em conflito, Edwards merece crédito por finalmente dar a Star Wars uma estética de filme de guerra. Nada no nível de Resgate do Soldado Ryan ou Corações de Ferro, claro, mas ainda assim, o que o cineasta consegue aqui é digno de nota. Acompanhar a batalha dos rebeldes pela ótica de pessoas comuns é uma boa sacada do roteiro que Edwards consegue transmitir muito bem na tela sendo as sequências em Jedha e Scarif as que melhor demonstram a capacidade do diretor.

E mesmo com a fraca trilha sonora de Michael Giacchino, Rogue One: Uma História Star Wars consegue cumprir a proposta de apresentar uma visão diferente da franquia que já conhecemos. É um filme que consegue equilibrar as homenagens à trilogia original e seus próprios pontos fortes, ainda que seus personagens não sejam um deles.

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