Os 15 anos de “O Senhor dos Anéis” no Cinema | O que fez a trilogia ser tão boa?

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Esse final de ano marca o décimo quinto aniversário da estreia de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. A enorme história, escrita por J.R.R. Tolkien em três volumes, era considerada por muitos como “infilmável” devido ao grande escopo do enredo e aos detalhes minuciosos que permeiam os livros. Mas o diretor neozelandês Peter Jackson não se deixou intimidar e entregou uma das melhores trilogias que o Cinema já viu.

Como isso aconteceu? Vale lembrar que, antes do lançamento do primeiro filme, Jackson não era o household name que é hoje. Ele tinha em seu currículo filmes como Bad Taste (uma comédia trash), Almas Gêmeas (um drama criminal) e Os Espíritos (uma comédia de terror). Nada que pudesse indicar, portanto, que ele seria a melhor pessoa para comandar uma trilogia de orçamento multimilionário baseada numa das mais respeitadas obras da literatura fantástica internacional. Dizer que foi apenas amor ou fascínio pelo material original seria uma resposta simples demais, já que muitos filmes feitos por pessoas que veneravam o material de origem resultaram em verdadeiras bombas (vide o caso de John Travolta com A Reconquista).

Não, eu não duvido que Peter Jackson tenha de fato um carinho e um respeito imenso pela obra de Tolkien. Mas existe uma diferença entre adaptar um livro de qualquer maneira e realmente prezar pelo material a ponto de tomar várias garantias ao longo do desenvolvimento do projeto para assegurar que o resultado final seja, pelo menos, tão digno de admiração quanto o livro que  o originou. E foi isso o que Jackson fez.

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Uma etapa comum da pré-produção de qualquer filme é a elaboração de storyboards, ou seja, quadros criados para que o diretor defina com antecedência os planos e ângulos que ele pretende gravar quando estiver no set de filmagem. Eles podem ser feitos tanto pelo próprio diretor quanto por um profissional contratado especificamente para isso. É comum cada cineasta ter pensamentos diferentes sobre storyboards, mas o uso deles é consenso no Cinema. Alfred Hitchcock certa vez disse que gostava de trabalhar seus filmes várias vezes em papel e caneta antes de filmar, já que papel é muito mais barato que alugar um estúdio e pagar atores e equipe. James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia, costuma inclusive compartilhar seus storyboards nas redes sociais.

Pois bem, agora voltando à saga de Peter Jackson. Querendo fazer o melhor possível, ele mandou fazer os storyboards, como é de costume, mas foi um passo além. Utilizando a tecnologia disponível na época – no final dos anos 1990, vale lembrar -, Jackson escaneou todos os storyboards com o objetivo de ter um pequeno e bruto filme, para já ter uma noção bem primária de como sua visão se traduziria na tela grande. E mais: ele ainda contratou cinco atores para ler todas as falas de A Sociedade do Anel e acrescentou esses áudios ao vídeo com os desenhos do storyboard. Tudo com o objetivo de definir e refinar como o filme seria antes de começar a filmar.

E, com o desenvolvimento da tecnologia, Jackson pôde dar mais um passo além e ser um dos pioneiros a utilizar computação gráfica para pré-visualizar determinadas cenas do filme. Em sequências muito complicadas (e, por consequência, caras de filmar), Jackson optou por fazer animações rudimentares em 3D. O resultado foi fundamental para a realização de sequências como a da escadaria de Khazad-dum. Foi o sucesso da trilogia de Jackson, aliás, que ajudou a tornar a técnica de pré-visualização 3D em padrão na indústria cinematográfica.

Todo esse processo de storyboards e preparação de cenas pode ser visto com mais detalhes nesse vídeo, que faz parte dos extras dos DVDs da trilogia. É um trabalho minucioso e fascinante, que, infelizmente, não foi aplicado no momento de adaptar O Hobbit, resultando em filmes bem inferiores.

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