Animais Fantásticos e Onde Habitam | Os altos e baixos do retorno ao mundo de J.K. Rowling

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Animais Fantásticos e Onde Habitam começa com uma rápida e sombria introdução do vilão Gellert Grindelwald, seguida de várias manchetes de jornais afirmando a ameaça que o bruxo representa para o mundo. Qual não foi a minha surpresa quando, momentos depois, Newt Scamander (Eddie Redmayne) surgiu contagiando a tela com seus trejeitos ingênuos e esperançosos. Essa dualidade (entre o sombrio e o leve) é bastante marcante e pesa contra a qualidade geral do filme.

Escrito por J.K. Rowling, o longa-metragem se passa cerca de 70 anos antes dos eventos retratados nos filmes da saga Harry Potter. Há também uma mudança de cenário, já que, enquanto as aventuras do jovem bruxo se passavam todas na Inglaterra, essa nova produção apresenta o mundo mágico dos Estados Unidos. Scamander, com sua mala cheia de animais mágicos, é um recém-chegado ao país e não demora muito a encontrar problemas. Ele perde a mala e uma sombria criatura provoca terror na população, fazendo de Scamander o principal suspeito.

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O desenrolar das ações de Scamander em Nova York é o que constitui os melhores momentos do filme. Seus companheiros, Jacob (Dan Fogler), Tina (Katherine Waterson) e Queenie (Alison Sudol), conseguem conquistar o público cada um à sua maneira – e o destaque nesse sentido vai com certeza para a interpretação de Fogler, que consegue ser um ótimo alívio cômico além de servir como os olhos do público por ser um “não-maj” (alguém sem poderes mágicos). A dinâmica entre eles é muito bem trabalhada tanto pelo roteiro de Rowling quanto pela direção de David Yates, veterano do mundo bruxo que dirigiu os três últimos capítulos da saga Harry Potter.

Falando em roteiro, é notável o trabalho de Rowling em oferecer ao público uma nova abordagem do mundo criado por ela nos livros há dezenove anos. Interessante notar como, nos Estados Unidos dos anos 1920, os bruxos são esclarecidos o bastante para eleger uma mulher negra como presidente, mas não para aceitar de bom grado uma relação entre bruxos e não-majs. Os tais animais fantásticos do título são únicos em suas concepções e conseguem impressionar, só ficou faltando mesmo um cuidado maior com a representação deles – não há, por exemplo, sequer um animal que pareça tão real e tangível quanto o hipogrifo visto em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

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Com tantas qualidades, chega a ser absurdo ver como o longa perde o encanto toda vez que Scamander e seus amigos estão fora de cena. Os momentos envolvendo Credence (Ezra Miller) e Graves (Colin Farrell) possuem um peso dramático praticamente nulo, e isso acontece principalmente por conta da desconexão existente entre eles e o protagonista da história. É tudo tão diferente e inferior (em termos de diálogos, ritmo, fotografia e direção) que quase parece outro filme. Pior ainda é o subplot ridículo envolvendo um dono de jornal e seus dois filhos, num desperdício do talento de Jon Voight.

No fim das contas, o maior problema de Animais Fantásticos e Onde Habitam é o mesmo que aflige filmes como Batman vs Superman: A Origem da Justiça e O Hobbit: A Desolação de Smaug. Ao preocupar-se demais em criar expectativa para as próximas histórias, os realizadores se esquecem de focar na qualidade da história que está sendo contada agora.

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