Os curtas de Stanley Kubrick

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Stanley Kubrick é mais conhecido por ter dirigido filmes grandiosos como 2001: Uma Odisseia no Espaço, O Iluminado e Laranja Mecânica. Esses, assim como a maioria dos seus longas, são projetos de ficção que trazem personagens complexos, belos enquadramentos e altos valores de produção. Mas nem sempre foi assim. Ainda na década de 1950, Kubrick resolveu começar a carreira como cineasta fazendo documentários de curta-metragem.

A vontade de fazer filmes surgiu em Kubrick na época em que ele trabalhava como fotógrafo para a revista Look. Foi com esses curtas que ele começou seu caminho para se tornar um dos maiores cineastas de que se tem notícia.

Dia de luta (1951)

O primeiro curta de Stanley Kubrick tem como protagonista Walter Cartier, um boxeador que ele havia conhecido quando fez um ensaio fotográfico para a revista Look. Interessante observar que, já em seu primeiro trabalho como realizador cinematográfico, Kubrick se preocupava em criar planos visualmente eficazes (embora obviamente limitado pelo orçamento e pela falta de experiência).

Talvez o maior problema do filme seja seu ritmo. A narração foca o tempo todo na luta que vai acontecer no final, levando à criação de uma expectativa que o curta não precisava e só faz atrapalhar. O No Film School fez uma boa análise do filme.

O Padre Voador  (1951)

Esse curta de Kubrick foi filmado há 65 anos e se mantém interessante até hoje. Nele, o diretor acompanha os trajetos e trabalhos do padre Fred Stadmuller, que, responsável por 11 paróquias do Novo México, precisava se locomover de avião (pilotado por ele mesmo) para poder atender a todas em tempo hábil. É um filme simples e até mesmo inocente, ainda mais quando comparado às produções mais ácidas que o  diretor viria a realizar mais adiante na carreira.

A simplicidade do filme se estende à sua estética, que é bem básica. Algumas cenas chegam a ser muito descaradamente ensaiadas. O que pode até configurar como ponto negativo, mas, em retrospecto, revela que Kubrick buscava ter o controle absoluto sobre o material que filmava desde bem cedo na carreira. Numa entrevista realizada em 1969, Kubrick classificou essa curta como “uma coisa boba”.

Os Marinheiros (1953)

Criado sob encomenda para promover os benefícios da Seafarers International Union (uma espécie de sindicato de marinheiros), esse talvez seja o curta menos interessante dessa lista exatamente por conta do seu tom excessivo de propaganda. Tal qual um comercial de concessionária automotiva, o filme faz parecer que se juntar ao tal sindicato é a melhor decisão que alguém poderia tomar.

Por isso, creio que Os Marinheiros tenha mais valor histórico do que qualquer outra coisa. Muito provavelmente, se não tivesse sido dirigido por Stanley Kubrick, este projeto já teria caído no esquecimento há muito tempo.

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