O Homem nas Trevas | A tênue linha entre mocinhos e vilões

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No Cinema, é senso comum acreditar que um diretor bom pode salvar um roteiro ruim, enquanto que um diretor ruim muito provavelmente vai estragar um roteiro bom. Acredito que O Homem nas Trevas se encaixe melhor no primeiro caso, embora sua história esteja longe de ser ruim – ela é apenas mediana. O que realmente faz o filme se destacar é a direção firme de Fede Alvarez, capaz de surpreender o espectador ao mesmo tempo em que desvia de muitos clichês que tanto infestam os filmes de terror.

O filme, escrito por Alvarez e Rodo Sayagues, trata de três jovens americanos que ganham a vida roubando residências. Certo dia eles recebem uma informação que poderia levar ao roubo perfeito: um aposentado cego que mora numa vizinhança deserta e que guarda, pelo menos, 300 mil dólares em dinheiro vivo dentro de casa. Mas o tiro sai pela culatra, pois o Cego (Stephen Lang) é um veterano de guerra disposto a fazer de tudo para que esses jovens paguem pelos seus erros. O roteiro da dupla tem as inspirações certas para funcionar (talvez Psicose e Alien sejam as mais óbvias), e, por não apelar para homenagens e referências, acaba por criar uma atmosfera estranhamente familiar e nova de um jeito positivo.

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Lang está ótimo como o Cego, um papel que cai como uma luva na persona do ator. Com poucas falas, Lang consegue compor um personagem ameaçador através de seus movimentos calculados e da própria presença do ator em tela – algo muito auxiliado pela fotografia de Pedro Luque. Lang também raramente pisca, um elemento que, junto com a ausência de falas, colabora para que o público perceba o Cego menos como “homem” e mais como “monstro” (assim como a própria falta de um nome para o personagem, que nos créditos do filme é chamado apenas de The Blind Man).

Por outro lado, o trio protagonista formado por Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) é bem clichê e não foge dos estereótipos do gênero. Aliás, os personagens são tão estereotipados que a única maneira que o espectador tem de se identificar com eles é através da situação desesperadora em que se encontram. Levy e Minnette, por terem mais tempo de tela, conseguem entregar um mínimo de profundidade a seus personagens unidimensionais. De maneira geral, o trio apenas cumpre seu papel de levar a trama adiante através de situações cada vez mais bizarras e desesperadoras.

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Situações essas que, por sinal, Alvarez consegue conduzir muito bem ao longo da projeção. Econômico, o diretor reserva close ups e jump scares para os momentos certos, evitando a gratuidade com a qual esses elementos comumente sofrem em filmes de terror. A já tradicional idiotice dos personagens do gênero é explorada por Alvarez para criar cenas realmente boas, o que acaba conferindo legitimidade ao sofrimento dos mesmos. O destaque com certeza vai para a cena em que as luzes se apagam e eles precisam se virar no escuro, ambiente em que o Cego tem larga vantagem.

O Homem nas Trevas é uma boa companhia para A Bruxa e Invocação do Mal 2, outros dois competentes filmes de terror lançados este ano. É bom ver que, dentro de um gênero tão escanteado, existem pessoas interessadas em fazer algo realmente bom.

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