Caça-fantasmas | Novo filme revitaliza a franquia

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A franquia Caça-Fantasmas parecia ter encerrado sua vida nos cinemas depois da fraca continuação lançada em 1989. Quem diria que, 27 anos depois, a solução para torná-la relevante mais uma vez seria justamente através de um reboot? Essa mais nova encarnação consegue apresentar boas e novas ideias, ainda que por vezes apresente dificuldade em unificar homenagem e modernidade.

Com direção de Paul Feig (que também assina o roteiro junto com Katie Dippold), o novo Caça-Fantasmas traz um grupo de cientistas que, assim como no filme original, constatam que fantasmas são reais e decidem fazer investigações por conta própria, mesmo não tendo muito dinheiro para isso. Talvez a diferença mais óbvia dessa nova versão seja o elenco principal totalmente feminino, que consiste nas comediantes Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon e Leslie Jones. A química entre elas demora um pouco a engatar no primeiro ato – em parte por conta dos outros elementos de enredo que também precisam ser introduzidos -, mas durante a maior parte do filme o quarteto funciona muito bem e é simplesmente divertido vê-las interagindo umas com as outras.

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Aliás, esse mérito vai mais para as atrizes do que para o roteiro. Novamente, assim como no filme de 1984, as heroínas não possuem um arco dramático – restando às atrizes a função de cativar o público extraindo o máximo possível de suas personagens. E, embora todas tenham seus momentos, devo dizer que McKinnon é quem melhor consegue aproveitar o material que lhe foi oferecido, transformando a cientista Jillian Holtzmann na melhor personagem do longa. Outra surpresa é a atuação de Chris Hemsworth como Kevin, o secretário bonitão e atrapalhado. O ator, famoso por fazer tipos físicos fortes e imponentes, se sai bem em sua incursão na comédia.

Feig e Dippold fizeram um bom trabalho ao não fazer desse novo Caça-Fantasmas um mero retelling do original mas com mulheres e no século 21. Há um esforço genuíno, tanto de roteiro quanto de direção, de estabelecer essa versão como sendo algo distinto dos dois filmes dirigidos por Ivan Reitman nos anos 80. Um exemplo claro pode ser observado pelo mundo que cerca as protagonistas, bem menos preocupado em se estabelecer como o nosso mundo real. Enquanto no filme de 1984 vemos com frequência manchetes de jornais e revistas reais, na versão de 2016 temos personagens dizendo coisas como “nunca me compare ao prefeito de Tubarão! Nunca!” sem se dar conta do absurdismo da coisa toda. É uma boa mudança de tom que a dupla de roteiristas soube explorar com competência.

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O problema é que o ar de novidade que Caça-Fantasmas dá à franquia é tão grande que faz os momentos de homenagens soarem anacrônicos. Basta a primeira aparição de Bill Murray para que o espectador passe o resto do filme na expectativa de encontrar outros membros do elenco original e referências às produções anteriores. Sim, é interessante que o filme reconheça o que veio antes dele, mas não precisava de tanto – ainda mais quando há todo um novo mundo de possibilidades trazido pelo reboot. Por outro lado, essa nova versão também erra em algumas de suas inovações, como por exemplo a sofrível gravação da música tema pela banda Fall Out Boys.

Caça-Fantasmas consegue entrar para a seleta lista de reboots realmente bons. É um filme que brilha mesmo com seus problemas, e, ainda por cima, consegue derrubar vários preconceitos de uma só vez.

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