39 anos depois, “Bernardo e Bianca” continua atual

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Tive a chance de rever, alguns dias atrás, um dos filmes que mais marcaram minha infância. Lembro muito bem de assistir a Bernardo e Bianca várias vezes na fita VHS que pedia para meu pai alugar. Eu, naquela época ainda muito pequeno, com certeza deixava passar muitos dos elementos que tornam essa animação tão boa, mas ainda assim não deixava de me fascinar. Inclusive seria um exercício interessante conversar com meu “eu” de 16 anos atrás e tentar entender a razão por trás das sucessivas sessões do filme naquela antiga TV de 29 polegadas.

Mas divago. Assistindo à animação recentemente, me deparei com diversos temas que não esperava encontrar num filme da Disney, e menos ainda num filme da Disney lançado em 1977. Por mais de uma maneira, Bernardo e Bianca consegue ser uma animação mais atual e ousada que muitas produções recentes da companhia.

O companheirismo da dupla protagonista

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Os ratinhos Bernardo e Bianca não são um casal no sentido romântico da palavra. Em vez disso, são dois companheiros da Sociedade de Proteção e Ajuda com a missão de salvar a órfã Penny, que foi sequestrada pela gananciosa Medusa. A relação entre eles dois é tratada de forma bastante equilibrada – Bianca ajuda Bernardo em vários momentos a superar seus medos (ele é muito supersticioso), fazendo com que ele crie coragem para salvá-la quando necessário.

Outra lição importante, ainda sobre os protagonistas, é o fato de que eles não se importam nem um pouco por ser de classes sociais diferentes. No início do filme ficamos sabendo que Bianca faz parte da Sociedade de Proteção e Ajuda como representante da Hungria, enquanto Bernardo trabalha lá como auxiliar de serviços gerais (ou algo muito próximo disso) e não recebe muito reconhecimento pelo que faz. Bianca, observadora, enxerga valor no ratinho e o convida para a missão. A partir daí eles são tratados como iguais por todos, sem questionamentos por parte da sociedade.

Independência feminina

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Esse é outro daqueles pontos que geralmente passam batido quando se é criança. Penny, a órfã que Bernardo e Bianca precisam salvar, passa longe de ser uma donzela em perigo. Acompanhamos no filme uma de suas tentativas de fuga – antes mesmo da chegada dos ratinhos – e logo é mostrado que ela não tem o menor medo de Brutus e Nero, os enormes crocodilos da vilã.

E, falando nela, até Medusa é uma personagem independente, sendo dona da própria loja de penhores. Esse é um dos elementos a tornam semelhante a Cruella de Vil, aliás. É o tipo de vilã que toma as rédeas da situação para resolver ela mesma.

Um filme infantil com temas maduros

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Quando foi a última vez que você viu um filme infantil de um grande estúdio abordando trabalho escravo infantil? Pois é exatamente isso que Bernardo e Bianca faz. Quando raptada, Penny é forçada a procurar todos os dias por um enorme diamante dentro de uma caverna. Toda vez que entra lá, ela o risco de morrer afogada pela cheia da maré – um perigo agravado pelo tom realista que a narrativa possui.

E falando em morte, nessa mesma caverna Penny e os protagonistas ainda encontram esqueletos de piratas. Sim, é uma maneira um tanto óbvia de ilustrar o perigo de morte, mas que funciona dentro do universo do filme. Destaco também o momento em que Penny, movida pelo desespero, agarra um crânio humano – ou seja, passa bem perto da morte – para pôr as mãos no diamante desejado por sua sequestradora.

É injusto que Bernardo e Bianca não seja tão lembrado atualmente pelo público quanto outros clássicos da Disney. Dá até para entender porque isso acontece, mas é realmente uma pena. É uma animação que vale a pena ver e rever, não importa a idade do espectador.

Você pode acompanhar o Mente Sem Fio no Facebook e trocar uma ideia comigo no Twitter. Gosta de animações? Então recomendo a leitura da minha crítica de Procurando Dory, a mais recente produção da Pixar.

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