Procurando Dory | Sequência faz jus ao original

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A Pixar gosta bastante de abordar a “família” em seus filmes. Procurando Dory, a mais recente produção do estúdio a abordar o tema, conta a história da protagonista Dory que precisa encontrar seus pais. A tarefa, claro, não será fácil, pois a peixinha sofre de perda de memória recente e vai precisar da ajuda de vários amigos (antigos e novos) pelo caminho para superar as dificuldades.

Estruturalmente, o roteiro escrito por Andrew Stanton e Victoria Strouse é bem semelhante ao de Procurando Nemo. As diferenças, que acabam por conferir muitas das qualidades do filme, são as situações enfrentadas e os personagens encontrados pelos protagonistas. O que vale é a jornada, afinal, e a animação demonstra isso através de personagens como o polvo Hank, a tubarão-baleia Destiny e o beluga Bailey. Dory é o tipo de personagem determinada e ao mesmo tempo adorável que consegue impactar a vida daqueles que conhece – e é interessante perceber que até mesmo Marlin, que conhece Dory há muito bem, ainda tem algo a aprender com ela.

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Procurando Dory funciona como uma comédia dramática, equilibrando momentos de humor leve com os de maior emoção (especialmente os que envolvem as lembranças da protagonista). É impossível não se identificar e torcer pela busca de Dory, por mais que o final seja previsível. Embora em alguns momentos haja certa falta de sensibilidade por parte dos realizadores – em certa cena um personagem vai parar dentro de um balde cheio de peixes mortos sem se dar conta -, no geral a animação tem um ritmo tão bom quanto seu antecessor.

A falta de ousadia do roteiro também se reflete nos visuais do filme. Como em toda continuação da Pixar, a animação serve para mostrar os avanços tecnológicos que o estúdio consegue alcançar a cada nova produção. Agora é possível ver em detalhes as escamas dos peixes, por exemplo, e os efeitos de camuflagem de Hank são muito bem trabalhados. No entanto, sabemos que a Pixar consegue mais que isso, o que faz Procurando Dory parecer um passo para trás se comparado a filmes como Divertida Mente e Wall-E.

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Mas ainda assim a animação é um filme competente, fazendo jus ao original. Os co-diretores Andrew Stanton e Angus McLane fazem curiosas escolhas aqui, como o uso de câmera lenta e POV (point of view) para alcançar os efeitos desejados em determinadas cenas. Também vale notar a quantidade de close-ups utilizados, principalmente em Dory. É um peixe cartunesco que, graça à animação primorosa do estúdio, consegue transmitir emoções quase tão bem quanto um ator real.

Hoje em dia fala-se muito sobre a perda de qualidade da Pixar devido à produção de sequências. Sim, Carros 2 é ruim, mas o pior filme do estúdio desde então atende pelo nome de O Bom Dinossauro. Universidade Monstros é bom, assim como Procurando Dory. Já passou da hora de julgarmos tais produções da Pixar mais pelo conteúdo em vez de pelo simples fato de serem continuações.

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