Invocação do Mal 2 | Um competente mais do mesmo

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O primeiro Invocação do Mal é um  filme de terror muito bem executado. A direção inventiva de James Wan, aliada ao eficiente roteiro de Chad e Carey Hayes, resultou num longa-metragem que fica acima da média das produções do gênero. A sequência, apesar de sofrer com o peso do sucesso do antecessor, consegue se manter como uma boa experiência durante suas duas horas e 15 minutos de duração.

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Invocação do Mal 2 dessa vez traz o casal Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga, respectivamente) investigando uma casa assombrada em Londres enquanto lidam com seus próprios demônios (não figurativos). Os residentes da tal casa são a família Hodgson, chefiada pela mãe recém-divorciada Peggy (Frances O’Connor). É ela quem busca a ajuda de especialistas no paranormal depois que sua família, com atenção especial para a filha Janet (Madison Wolfe), começa a sofrer frequentes ataques sem explicação aparente. Assim como no filme anterior, os roteiristas dão bastante destaque à situação aterrorizante vivida pela família, o que faz com que o drama pareça real. Assim, o espectador fica do lado deles, na torcida para que todos fiquem bem. O fato de que apenas a família e o espectador veem os fenômenos paranormais durante boa parte do filme também colabora com esse sentimento de cumplicidade entre personagens e plateia.

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Dito isso, é importante notar que o roteiro deste filme é inferior ao de seu antecessor. A ameaça apresentada aqui é mais limitada e até mais previsível que a do primeiro capítulo da franquia, indicando que os roteiristas – grupo formado pelo gêmeos Hayes, Wan e David Leslie Johnson – não estavam tão inspirados quando escreveram esta continuação. Um elemento do roteiro que chega a quebrar o clima é o salto temporal que acontece pouco antes do envolvimento dos Warren no caso da família Hogson. Enquanto no primeiro filme acompanhávamos a presença demoníaca crescendo pouco a pouco dentro da casa, o salto imposto em Invocação do Mal 2 nos tira da ação propriamente dita sem nenhuma boa razão para tal. Há ainda um dispensável elemento de premonição no roteiro que falha em sua tentativa de elevar a tensão do clímax, servindo apenas para acrescentar alguns sustos e aumentar a duração do filme.

Wan, de volta à cadeira de direção, continua aqui seu bom trabalho, investindo em ângulos e movimentos de câmera que quase sempre funcionam à favor da história sendo contada na tela. Gosto particularmente da maneira como o diretor emprega zoom ins e zoom outs para sugerir a aproximação ou afastamento de seres (deste mundo ou de outro), assim como do uso controlado de jump cuts no prólogo do filme em Amityville. Além do terror, o diretor também é hábil ao inserir leves momentos de humor, além de saber dosar bem os momentos dramáticos. E, mesmo trabalhando com um roteiro mais limitado, o cineasta consegue elaborar momentos muito criativos, principalmente os que envolvem a Demon Nun e o Crooked Man.

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No entanto, Wan comete aqui alguns exageros estilísticos desnecessários ao dar closes em objetos inúteis para a trama e ao insistir em atravessar vidros com a câmera no início da projeção – uma técnica carregada de artificialidade que prejudica o estabelecimento da história “real” que o longa-metragem conta. Vários elementos comuns do gêneros são repetidos aqui (camas tremendo, portas fechando, TV funcionando sozinha etc.) e soam apenas previsíveis, diminuindo o impacto do terror exibido. Essas constantes repetições incomodam e empalidecem o filme diante de produções recentes como Corrente do Mal e A Bruxa, que conseguem abordar o gênero evitando muitas das obviedades do mesmo.

Complementado ainda pelo sombrio design de produção de Julie Berghoff, Invocação do Mal 2 consegue cumprir seu papel de manter aceso o interesse pela franquia. Agora resta saber se James Wan e sua equipe vão aprender com seus erros para que ela não acabe por aqui.

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