Zoom | Filme serve como reflexão do processo criativo

cartaz filme zoom

São vários os estudos que se dedicam a analisar o impacto que a vida pessoal dos autores têm sobre as obras criadas por eles. Zoom, dirigido pelo brasileiro Pedro Morelli, é uma reflexão acerca do trabalho criativo em forma de comédia dramática. As três histórias apresentadas podem até parecer fracas individualmente, mas juntas elas se complementam muito bem, fazendo o filme funcionar durante a maior parte do tempo.

emma alison pill

Zoom acompanha Emma (Alison Pill), que cria uma história em quadrinhos sobre o cineasta Edward (Gael García Bernal), que dirige um filme sobre a modelo Michelle (Mariana Ximenes), que escreve a história de Emma num livro. O roteiro de Matt Hansen é cuidadoso ao entrelaçar as narrativas, que ganham profundidade através das consequências que uma traz à outra. É interessante notar, por exemplo, que o desejo de Emma por colocar silicone nos seios é, na verdade, um espelho da situação em que Michelle se encontra por querer mostrar ser mais do que apenas uma modelo bonita.

A direção de Morelli é hábil ao adotar diferentes abordagens dependendo da história que está sendo contada. Edward quer criar um filme mais artístico, então as cenas com Michelle são propositalmente filmadas com uma câmera inquieta – refletindo a vontade que o cineasta tem de se soltar do estereótipo do diretor de ação que só sabe filmar perseguições e explosões. As cenas de Edward, por sua vez, são todas animadas através de rotoscopia – técnica que consiste em desenhar por cima do material filmado – e possuem uma paleta de cores bem diferente, o que permite determinar que Emma se inspira nos quadrinhos americanos da década de 1980. E, por fim, as sequências de Emma possuem cenários sempre cheios de detalhes, revelando a forma como Michelle escreve.

zoom Edward

É em cima desses detalhes que o filme vai se construindo. Morelli demonstra ter um timing cômico apurado, algo importante para fazer a história progredir principalmente a partir do segundo ato, quando as situações vão pouco a pouco ficando mais absurdas. E, nesse ponto, a história da modelo Michelle é a mais fraca das três simplesmente por ser a que mais tenta se levar a sério, destoando das demais. E, sem entrar em spoilers, também é Michelle a responsável por quebrar a imersão do espectador nos minutos finais do filme. Não é nada que estrague a experiência, mas levanta tantos questionamentos no clímax do filme que os conflitos dos personagens acabam diluídos.

Mesmo com esse problema, a produção se destaca por conseguir abordar de maneira diferente,e até mesmo um tanto profunda, as nuances do processo criativo. Zoom ainda consegue entregar uma história leve e cheia de referências visuais eficientes, capaz de agradar a diferentes públicos.

Você também pode ler outras críticas recentes, como Batman vs Superman e A Bruxa. E que tal acompanhar o Facebook e o Twitter do blog para saber quando novidades aparecem por aqui?

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