A internet quer que você leia mais

internet leitura

Sem limites. Isso era algo que parecia deixar as pessoas confusas quando a internet começou a se popularizar lá por meados dos anos 2000. Diferente com que acontece com revistas, livros, jornais e etc, no meio digital essa história de limite de caracteres já deixou de ser um problema há tempos. Você nunca verá na internet um texto sendo cortado porque entrou um anúncio de última hora ou por ter que caber num espaço pré-determinado, por exemplo.

Esse cenário podia até parecer estranho na época, mas é muito bem aproveitado até hoje por aqueles que reconhecem o valor do texto escrito. Vamos tomar como exemplo o crítico de cinema Pablo Villaça, do Cinema em Cena. Ele iniciou suas atividades na internet em 1994 e reconhece o valor que a ferramente lhe possibilita. Seu texto sobre o O Grande Truque tem vinte e um parágrafos, algo impensável de ser publicado em revistas ou jornais.

O problema é que esse potencial da web vem sendo esquecido por conta de pura preguiça de quem consome conteúdo. A impressão é de que cada vez mais as pessoas preferem artigos rasos, imagens e vídeos – e quanto mais curto, melhor. Essa deve ser uma consequência do aumento de velocidade das conexões, que permitem que esse conteúdo multimídia seja acessado com mais facilidade. E não tenho nada contra isso. Se estou sendo contra algo por aqui, é contra a aparente falta de interesse em textos escritos.

É fácil identificar por aí gente reclamando dos “textões de Facebook”, sobre aquelas pessoas que insistem em publicar dissertações enormes direto na rede social do Mark Zuckerberg. Esse pessoal reclamando está mais ou menos com razão. Acontece que a culpa não é dos autores dos “textões”, mas sim da própria rede social que não está preparada para receber esse tipo de conteúdo. O espaço espremido e a fonte escolhida tornam a experiência de longas leituras no Facebook em algo bastante cansativo (sem falar que a rede social quer saber mesmo é de vídeos).

redes sociais

Redes sociais existem aos montes. Mas quais delas são realmente adequadas para textos?

Felizmente, a minha voz não é a única. Estou presenciando um retorno do interesse pelo texto escrito na web nessa segunda década do século 21. O melhor exemplo talvez seja o dos co-fundadores do Twitter, Evan Williams e Biz Stone. Para quem não conhece, o Twitter é aquela rede social de microblog onde cada postagem é limitada a 140 caracteres. Em 2012 os dois empreendedores anunciaram o Medium, que é quase como um Twitter ao contrário: nele os usuários são encorajados a escrever textos de qualquer tamanho numa interface muito bonita e limpa que encoraja o trabalho escrito. Deu tão certo que até Barack Obama utiliza a plataforma.

O pessoal do Tumblr percebeu a tendência e resolveu correr atrás. Mais conhecido como uma plataforma para postagem de GIFs e imagens, a plataforma também quer ser a casa de textos bem elaborados – a implantação de um editor de posts mais robusto deixou esse objetivo bastante óbvio. Público ele tem: são 420 milhões de visitantes todo mês, enquanto o Medium tem 17 milhões. Mas será que pega? A fama da plataforma como um lugar para postar material de entretenimento é enorme, o que, imagino, faz com que o Tumblr seja preferido principalmente por aquelas pessoas sem o costume de ler online. De qualquer forma é bom ver uma rede social com grande alcance se preocupando em gerar mais conteúdo interessante em texto.

O retorno das newsletters

newsletter

Eu lembro que lá pelos idos de 2003 parecia que todo site tinha uma newsletter. O fenômeno foi desaparecendo e agora está voltando com força total. Como são hoje, exitem dois tipos: aquelas que reúnem links da semana de um certo site e as que reúnem os links de vários endereços diferentes. É quase como a leitura de um jornal, só que entregue no seu endereço eletrônico e feito por uma pessoa só (ou pequeno grupo) sobre assuntos considerados relevantes. Elas são normalmente enviadas no final de semana, o que colabora ainda mais para aquela sensação de jornal de domingo. Normalmente leio as newsletters que assino ainda deitado na cama, logo após acordar.

Às vezes a newsletter pode ser o melhor produto que um site oferece. Como as pessoas que produzem conteúdo são também aquelas que buscam bom conteúdo, é possível confiar que os links indicados vão ser úteis de alguma maneira na maior parte das vezes. É um boa maneira de se manter a par das atualizações dos sites que você gosta – bem melhor que o Facebook, que prefere selecionar o que você deve ver ou não (mesmo se você já tiver indicado que gosta daquele conteúdo). O pessoal do Papo de Homem vez um texto sobre o assunto e ainda indicou várias newsletters ótimas.

A vez dos aplicativos

smartphone app

defendi aqui no blog o uso de aplicativos para atividades além do simples entretenimento. Os smartphones que usamos hoje não muito mais potentes que os celulares comuns que dominavam o mercado há alguns anos, com muito mais potencial para ser explorado. Com telas cada vez maiores, não vejo por que não tornar esses aparelhos em utilitários para quem gosta de ler.

Um dos apps de leitura que recomendo muito é o Pocket. Disponível para Android, iOS e Windows Phone, o aplicativo permite que o usuário salve textos para ler em modo offline. É como a barra de favoritos do seu navegador, mas que não precisa de internet para tornar o conteúdo acessível. O Pocket também funciona em computadores, então você pode salvar nele um texto a partir do seu laptop, por exemplo, que ele também será salvo no smartphone. Ideal para aqueles momentos de ócio que permitem uma leitura mais aprofundada.

Outro app interessante é o Yahoo News Digest, mais voltado para notícias. Duas vezes por dia, sempre nos mesmos horários, o aplicativo é atualizado através de curadoria humana com até dez notícias apresentadas de maneira sucinta, mas que podem sem expandidas se o leitor assim quiser. O News Digest está disponível para Android e iOS.

Agora é com você

e-reading

Comecei a escrever este texto pois queria mostrar que é possível ter boas experiências de leitura na internet. Galerias de imagens e vídeos rápidos são legais, mas a experiência de ter um texto recheado e bem trabalhado é sem igual. E se você leu até aqui, parabéns: você chegou ao final do maior post publicado até agora no Mente Sem Fio!

O post acabou, mas o diálogo continua. Você pode comentar logo abaixo ou então na página do blog no Facebook. Também estou no Twitter e no Snapchat (nome de usuário: pedrosemfio).

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