Batman vs Superman: A Origem da Justiça | Alguns homens só querem ver o mundo queimar

batman vs superman

Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um filme que começa e termina mal, mas tem muitos elementos interessantes pelo caminho. A produção faz história ao apresentar Batman e Superman – dois dos super-heróis mais icônicos já criados – juntos pela primeira vez nas telas de cinema. O resultado final, no entanto, é algo bem abaixo do que esses personagens merecem.

Escrito por David S. Goyer e Chris Terrio, A Origem da Justiça continua a história que começamos a acompanhar em O Homem de Aço. Após salvar o mundo, Superman (Henry Cavill) precisa lidar com as consequências: parte da população acredita que ele é realmente um herói, enquanto outros acreditam que ele é poderoso demais para viver. Para azar do kryptoniano, Batman/Bruce Wayne (Ben Affleck) faz parte do segundo grupo. A premissa aparentemente simples se desenvolve numa trama longa demais, por vezes até arrastada, e sem nenhum impacto emocional (e olha que o roteiro tenta bastante).

O longa é cheio de cenas desnecessárias que servem apenas para aumentar o tempo de duração – algo que este filme claramente não precisava. Talvez o maior exemplo dessa deficiência seja a cena da morte dos pais de Bruce Wayne. A história parte do princípio que nós, os espectadores, já sabemos pelo menos o básico sobre o personagem, tanto que aqui ele já atua como Batman há 20 anos. Não faz muito sentido voltar às suas origens, ainda mais da maneira preguiçosa como foi feita. E ainda tem o problema de cenas inseridas em momentos deslocados, o que prova que nem David Brenner, montador do filme, entendeu muito bem como entrelaçar de maneira concisa todas aquelas histórias. O fato é que o roteiro de Batman vs Superman provavelmente renderia uma boa história em quadrinhos, mas no cinema a conversa é outra.

ben affleck batman

Zack Snyder, que dirige uma adaptação de quadrinhos pela quarta vez na carreira, está longe de sua melhor forma nesse filme. Poucas são as cenas de ação que realmente funcionam em Batman vs Superman, sendo que a melhor é a que traz o combate entre os dois personagens. Fica óbvio que o diretor se dedicou muito para fazer o clímax funcionar, e é uma pena não ver esse empenho aplicado ao filme inteiro. A perseguição do Batmóvel, por exemplo, tem tantos cortes que parece ter sido coordenada por Michael Bay em seus piores momentos. O forte de Snyder está mesmo no estilo visual, e nisso ele se mantém eficiente.

O filme acerta mesmo é na relação entre seus dois protagonistas. O Batman apresentado aqui é um herói mais velho, que já passou por muita coisa durante seu tempo em atividade e é menos tolerante a comportamentos contrários ao seu senso de justiça – e Affleck se encaixa muito bem no papel, transmitindo os sentimentos do personagem sem soar forçado ou caricato. Por outro lado, Superman não concorda com a ideia de alguém se vestindo de morcego e fazendo justiça com as próprias mãos. Cavill continua bem no papel, embora seu personagem seja maltratado pelo roteiro, que não lhe dá nenhum arco dramático.

gal gadot wonder woman

Se a condução da história é pobre, o mesmo não pode ser dito de como o filme lida com o elenco coadjuvante. Jesse Eisenberg está ótimo como Lex Luthor – o vilão, apresentado dessa vez sem caricaturas, é uma versão psicótica e millenial do clássico antagonista. E para um filme chamado Batman vs Superman, o destaque dado a personagens femininas é louvável. Lois Lane (Amy Adams) continua sendo uma mulher destemida que não hesita em encarar situações além de sua capacidade. O filme também traz a primeira aparição da Mulher-Maravilha (Gal Gadot) no cinema, numa performance que, mesmo pequena quando comparada aos personagens do título, deixa bem claro sua força e potencial.

O filme sofre por ter sido produzido apenas como uma grande prévia do que virá a seguir no universo cinematográfico da DC Comics. E se nem os responsáveis pela produção a tratam com o devido respeito, não vejo por que os espectadores deveriam. E, ainda assim, chamar Batman vs Superman: A Origem da Justiça de  ruim é exagero. Ao final, fica apenas a vontade de que aqueles bons elementos estivessem presentes num filme melhor.

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