A Bruxa | Filme entrega terror de qualidade

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É difícil encontrar um filme de terror que se destaque pela qualidade. Essa é uma situação que acontece, infelizmente, desde os primórdios desse gênero que frequentemente é vítima de preconceitos (muitos deles advindos da grande quantidade de filmes ruins de terror que existem por aí). No ano passado assisti o competente Corrente do Mal, e 2016 já tem um forte candidato a melhor terror na forma de A Bruxa, filme escrito e dirigido pelo estreante Robert Eggers.

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O filme se passa na Nova Inglaterra, no ano de 1630. Uma família extremamente religiosa é expulsa da colônia que frequentava e é obrigada a viver quase em isolamento em sua fazenda. A filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), tem dificuldade para se adaptar à realidade que a cerca. Ela lamenta a pobreza da sua família e as responsabilidades domésticas que precisa assumir. Tentando manter a estrutura familiar intacta, está o pai, William (Ralph Ineson). A alta estatura e a voz cavernosa do personagem refletem a sua fé aparentemente inabalável, algo que Ineson sabe transmitir muito bem em tela – é dele, aliás, a melhor atuação do filme.

O que diferencia A Bruxa de tantos outros filmes de terror genéricos é que o filme realmente tem uma história para contar. A preocupação do roteiro de Eggers vai muito além de tentar assustar constantemente o espectador. Assim como em O Iluminado, o que está em jogo aqui é uma família que, cercada pelo sobrenatural, não sabe direito com o que está lidando e vai aos poucos se deteriorando. E Eggers sabe aproveitar bem essa situação – afinal, no século 17, muita gente seriamente acreditava na existência de seres místicos -, dando um tom de fantasia macabra à produção.

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Apesar do título, A Bruxa não deve ser considerado um filme de monstro comum. O longa sugere que a entidade está sempre por perto, criando um clima quase permanente de tensão ao longo dos 90 minutos de filme. Algo que colabora bastante para isso é a trilha sonora de Mark Korven. No início do filme, só há música nas cenas que se passam dentro da floresta, então logo o espectador aprende a associar a trilha aos mistérios que habitam entre as árvores.

Outro fator que colabora para a permanência da tensão é a razão de aspecto reduzida. A projeção da imagem do filme não ocupa a tela inteira do cinema como estamos acostumados. Essa decisão cria alguns resultados interessantes, sendo o primeiro deles metafórico: do ponto de vista do espectador, o filme está cercado por espaços escuros tanto à direita quanto à esquerda, assim como Thomasin e sua família estão cercadas pela escuridão da floresta – além da tensão, temos também o estabelecimento de um ambiante claustrofóbico. Também há a associação a filmes antigos, o que colabora com a impressão de que a história contada aconteceu muito tempo atrás.

A Bruxa vem fazendo barulho – pelos motivos certos – desde que foi exibido no Festival Sundance de Cinema no ano passado, ocasião em que conquistou o prêmio de melhor direção. É um filme de terror maduro, dramático e eficiente, do tipo que se vê pouco por aí.

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3 ideias sobre “A Bruxa | Filme entrega terror de qualidade

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