Deadpool | Dinâmico, irreverente e violento

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Deadpool não é um um filme de super-herói comum. Enquanto a maioria dos personagens do tipo que possui algum senso de moralidade, o personagem-título da nova produção da Fox é boca-suja, orgulhoso, narcisista e jamais pensa em poupar seus inimigos. Como um protagonista assim, à primeira vista tão detestável, consegue funcionar e cair no gosto do público? Em grande parte, graças ao trabalho dos roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick.

Um fato importante sobre o personagem é que, diferente dos seus companheiros de tela, ele sabe que está num filme e quebra constantemente a quarta parede. São muitos os momentos em que ele olha diretamente para a câmera e fala com a plateia. Isso cria uma relação de cumplicidade entre herói e espectador logo nos minutos iniciais da produção, já que ambos sabem de algo que os outros personagens não. Essa decisão se revela um acerto, pois permite que o longa comece já com a ação rolando, evitando o início lento que atinge muitos filmes do tipo.

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O filme é recheado de boas sacadas humorísticas do início ao fim, e quase a totalidade delas depende dessa cumplicidade estabelecida lá no começo. Além disso, o roteiro de Reese e Wernick vai além de simplesmente jogar piadas em cima do espectador, há uma construção envolvida – um momento levemente cômico pode ser o set up de outro ainda mais engraçado alguns minutos depois, por exemplo. Também existe uma preocupação em estabelecer a veracidade do romance entre o protagonista e Vanessa (Morena Baccarin), seu interesse romântico, o que acrescenta um leve peso dramático à história.

E, claro, temos a interpretação de Ryan Reynolds como Wade Wilson/Deadpool. Mesmo com o rosto desfigurado e coberto por uma máscara durante grande parte da projeção, fica claro que o ator se diverte imensamente fazendo o papel. Já entre os coadjuvantes, não há ninguém que realmente se destaque. O Colossus (Stefan Kapicic) cria uma dicotomia interessante com o Deadpool pelo seu jeito politicamente correto ao extremo, mas não passa disso. A outra X-Men do filme, Míssil Adolescente Megassônico (Brianna Hildebrand) está lá só para fazer volume mesmo – poderia ser qualquer outro personagem menor que não faria grande diferença. O vilão Ajax (Ed Skrein) é bem genérico, e entraria fácil para uma lista de antagonistas esquecíveis de filmes de super-herói (se alguém se importasse e fazer algo assim). Outro detalhe negativo é quando estes personagens dão a entender que estão num filme. Não funciona bem, e quebra a ilusão de que apenas Deadpool sabe disso. Felizmente, esses momentos são raros.

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Tim Miller, o diretor de primeira viagem responsável por reunir tudo isso num filme coerente, faz um bom trabalho. As cenas de luta fazem sentido mesmo com o grande número de cortes, e o diretor se mostra competente mesmo nas cenas que contém muitos elementos em tela. Miller também demonstra ter um bom senso de comédia na composição de seus quadros – um bom exemplo é a rápida cena em que Deadpool persegue um bandido numa pista de hóquei no gelo.

Divertido, dinâmico, irreverente e violento, Deadpool é uma produção que veio para dar frescor aos filmes de super-herói. O longa é um exemplo de que é possível sair das convenções que o sub-gênero vem adotando ao longo dos últimos anos e criar algo diferente de uma maneira positiva.

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