O Regresso | Filme é um espetáculo visual calcado na realidade

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O explorador americano Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) está passando pelos piores momentos da sua vida. A maré de azar começa quando ele é atacado por uma criatura enorme dentro de uma floresta, e daí segue constante durante as mais de duas horas de filme. Do lado de fora da tela, sentado confortavelmente em sua poltrona, o espectador faz parte de uma experiência cinematográfica impressionante vinda da mente do diretor Alejandro González Iñarritu.

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Em termos de enredo, O Regresso é similar a Mad Max: Estrada da Fúria. Os dois filmes fazem uso de uma estrutura narrativa simples, tendo como o objetivo criar sequências visualmente arrebatadoras. Um bom exemplo disso é a cena, logo nos minutos iniciais, de um ataque indígena ao acampamento de Glass. O caos criado por Iñarritu consegue trazer, em duas dimensões, mais imersão que muitos filmes que apelam para o artifício da tecnologia tridimensional. O diretor aposta em planos longos e bem construídos, e tem tanto controle do material que filma que a câmera nunca parece estar mal posicionada.

A imersão que Iñarritu põe na tela vem, em grande parte, do trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki. Duas vezes vencedor do Oscar, Lubezki é o responsável pela naturalidade das cores que vemos na tela – praticamente todas as cenas do filme foram feitas com iluminação natural, ou seja, sem o auxílio de equipamentos. O realismo bem construído, ainda que cinematográfico, consegue tirar o espectador de sua confortável poltrona e colocá-lo bem no meio das paisagens selvagens de O Regresso.

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Falando em paisagens, o longa é cheio de belos planos abertos que contemplam a natureza. O que à primeira vista pode parecer uma exibição luxuosa de um programa do Discovery Channel é, realmente, a maneira escolhida pelos realizadores para ilustrar a força da natureza diante da pequenez dos seres humanos. A decisão é acertada: ao longo da projeção, é comum perder de vista os personagens apenas para observar a beleza dos cenários.

E, felizmente, o filme traz personagens interessantes, que fazem valer a pena acompanhar suas jornadas. O destaque, obviamente, vai para a interpretação de DiCaprio. Cada dor e cada susto que seu personagem sofre durante o filme é transmitido com realismo pelo ator, que há anos vem se provando como um dos melhores profissionais de sua geração. A atuação dele faz com que o espectador, mesmo sem muito apego inicial a Hugh Glass, se compadeça das dores do explorador e torça para que ele dê a volta por cima.

Se O Regresso realmente merece a quantidade enorme de prêmios que vem ganhando – são 54 até o momento que escrevo essas linhas -, só o tempo vai dizer. Mas fica a certeza de que o filme é um dos mais emocionantes e tecnicamente belos lançados em 2015.

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