Interestelar | Mais uma viagem na mente de Christopher Nolan

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 Um grupo de indivíduos parte numa perigosa missão espacial com poucas chances de voltar ao planeta natal. É possível lembrar de um punhado de filmes que partem dessa premissa – 2001: Uma Odisseia no Espaço e o recente Gravidade vêm facilmente à cabeça. Ainda assim, Christopher Nolan consegue mais uma vez surpreender com o projeto visualmente lindo e emocionante que é Interestelar. Apesar de não ser livre de falhas, o filme vem para reforçar o posto de Nolan como um dos nomes mais autorais do cinema blockbuster atual.

Ambientado num futuro próximo, Interestelar acompanha a história de Cooper(Matthew McConaughey), um engenheiro espacial frustrado por viver numa época onde seus conhecimentos não são necessários, pois é obrigado a trabalhar como fazendeiro para suprir a cada vez menor quantidade de comida no mundo. Ele tem dois filhos: Murph, que quer seguir seus passos na engenharia, e Tom, que quer continuar o trabalho do pai como fazendeiro. A vida da família muda quando Cooper recebe a oportunidade de liderar uma expedição espacial para encontrar novos planetas, pois a Terra está aos poucos se tornando nociva para a vida humana.

Cooper parte então numa jornada rumo ao desconhecido (e sem previsão de volta) com a tripulação formada pela Dra. Brand (Anne Hathaway), Doyle (Wes Bentley) e Romilly (David Gyasi). Orientados pelo Professor Brand (Michael Caine), eles vão para o espaço com dois planos em mente. Plano A: descobri um planeta habitável, voltar para a Terra e arranjar uma maneira de transferir a população para lá. Plano B: abandonar os seres humanos no planeta decadente que se tornou a Terra e iniciar uma nova etapa da raça humana a partir de óvulos congelados.

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Posso dizer que responsabilidade é a essência de Interestelar. Falando apenas em Cooper, temos sua responsabilidades como pai, como líder, como peça-chave da sobrevivência humana… E assim por diante. As responsabilidades da Dra. Brand se estendem principalmente ao seu pai e ao contato emocional que cultivou com os membros das outras expedições. No entanto, não posso dizer o mesmo dos outros dois tripulantes, que estão lá apenas para explicar elementos do script. Aliás, esse é um dos pontos negativos do filme. O roteiro garante que sempre exista alguém pronto para explicar todo e qualquer novo elemento apresentado. Tudo bem que é importante saber o que está acontecendo – Prometheus, por exemplo, falha por querer ser abstrato demais -, mas quando isso acontece em excesso, passa a impressão que não há confiança na inteligência do espectador. Uma decisão estranha de roteiro, ainda mais vindo do mesmo sujeito que criou A Origem.

Como já era de se esperar numa produção como essa, Interestelar é repleto de belos planos espaciais. Destaco, para citar apenas um, aquele no qual a nave Endurance passa perto de Júpiter e notamos a pequenez da nave em relação ao maior planeta do nosso sistema solar. Nolan filma vários planos onde a câmera parece acoplada ao exterior da nave – uma maneira certeira de demonstrar a fragilidade do veículo onde se passa grande parte do filme.

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O personagem Cooper entra para a coleção de bons personagens de McConaughey, que já ganhou um Oscar este ano pela sua atuação em Clube de Compras Dallas. O característico sotaque interiorano do ator cai como uma luva no personagem – afinal, por mais que Cooper já fosse um engenheiro treinado, vez alguém com sotaque “caipira” no espaço colabora bastante para estabelecer a ideia de que aquela pessoa não deveria estar ali. Neste filme, a atuação de McConaughey se faz valer com mais evidência nas cenas de maior apelo emocional. Já a Dra. Brand tem suas funções na trama, mas não consegue fazer com que o espectador se interesse por ela – a fraca atuação de Hathaway é a principal culpada. Curiosamente, o elenco robótico do filme chama bastante atenção. TARS (voz de Bill Irwin) e CASE (voz de Josh Stewart) são robôs de formato retangular que falam como humanos – possuem até senso de humor – mas sempre obedecem ordens dos seus superiores de carne e osso. É uma questão que é apenas pincelada no filme, mas que deixa bem clara sua mensagem.

Embalado pela fantástica trilha sonora de Hans Zimmer, Interestelar é uma experiência que merece ser vivida na tela grande – e quanto maior a tela, melhor. Várias cenas do filme foram rodadas em IMAX, então essa é de cara a melhor opção. Ao fim das quase três horas de projeção, saí da sala de cinema com duas certezas: a primeira, de que Christopher Nolan conseguiu mais uma vez surpreender com seu mais novo projeto mirabolante; e a segunda, de que a viagem poderia ter sido melhor aproveitada caso eu não tivesse sido levado pela mão o tempo todo.

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2 ideias sobre “Interestelar | Mais uma viagem na mente de Christopher Nolan

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