Toy Story 4 foi anunciado, e isso pode ser uma notícia bem ruim

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Fazer um filme, por si só, já é algo bastante desafiador. Fazer uma série de filmes e manter a qualidade em todos eles, então, é mais difícil ainda. Você conhece alguma que é completamente imaculada, sem nenhum elemento ruim? São pouquíssimas. A arte cinematográfica já tem mais de 100 anos e existem pessoas que até hoje não entenderam a raridade e o valor de um feito como esse. Toy Story, uma das melhores trilogias do cinema, conseguiu: todos os três filmes têm seus próprios méritos e compõem um ciclo que se encerra lindamente.

Tudo ia muito bem até semana passada, quando Toy Story 4 foi oficialmente anunciado.

Olha só, nem precisa voltar muito tempo para entender porque essa não é uma ideia muito boa. Lembremos de 2008, ano do lançamento de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. O retorno do clássico personagem de Harrison Ford depois que todo mundo já tinha dado a (antiga) trilogia como encerrada. E foi o que foi: se antes a franquia Indiana Jones era conhecida como “uma das melhores trilogias do cinema”, hoje ela é mais referenciada como “uma boa trilogia estragada por um quarto e desnecessário filme”. E agora, o mesmo pode acontecer com Toy Story.

Não é que um filme ruim vá tirar todo o mérito dos filmes anteriores, veja bem. Mas vai tirar da franquia o status quase mágico que ela carrega hoje.

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E não é como se não existissem razões para ficar com o pé atrás. A primeira delas é a volta de John Lasseter à cadeira de diretor. Tudo bem que Lasseter fez um ótimo trabalho ao criar Toy Story, mas parece que sua habilidade como diretor de filmes veio caindo com o passar dos anos. Seus dois últimos filmes (Carros e Carros 2) são alguns dos mais fracos já produzidos pela Pixar. Se é pra fazer um Toy Story 4, por que não trazer de volta Lee Unkrich, que fez um ótimo trabalho em Toy Story 3? Lasseter deveria ficar apenas como chefão do departamento de animações da Disney – lá sim, ele faz um ótimo trabalho.

Outra razão para ficar com o pé atrás são os motivos que levaram a Disney/Pixar a dar sinal verde ao filme. O primeiro Toy Story foi feito com o  objetivo de provar que sim, era possível fazer um filme inteiro (e de qualidade) através da computação gráfica. Toy Story 2 veio para provar que é possível fazer uma sequência em computação gráfica e ainda manter o nível. Toy Story 3, lançado 14 anos após o segundo filme, teve a proposta de encerrar a história que começou em 1995 com o primeiro. Onde se encaixaria Toy Story 4, ainda mais depois da fantástica conclusão da trilogia? Já vi comentários dizendo que talvez a história não seja uma sequência mas sim uma prequela – ou seja, iria esplorar acontecimentos anteriores ao último filme. Mas essa hipótese não faz muito sentido pois Toy Story não possui um enredo tão intricado ao ponto de precisar de histórias entre histórias.

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Quando o filme foi anunciado, Lasseter fez questão de dizer que “muita gente da indústria nos vê fazendo continuações por negócio, mas para nós é pura paixão”. Ainda parece difícil de acreditar. Toy Story já vinha tendo uma “pós-vida” bastante interessante com os curtas estrelados por seus personagens. A ganância da Disney/Pixar pode deixar uma mancha eterna numa das franquias maia adoradas do Cinema.

Enfim, o jeito é esperar para ver no que dá. Espero muito, de verdade, que em 2017 eu venha aqui no blog para escrever como Toy Story 4 é um filme sensacional. Vamos cruzar os dedos!

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