O Espetacular Homem Aranha 2 | Sequência faz jus ao título

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A diferença entre O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro e o filme original, de 2012, está impressa logo nas cenas de abertura de cada um. Enquanto no primeiro filme acompanhamos uma sonolenta sequência na qual os pais de Peter Parker saem de casa para evitar a perseguição da Oscorp, no novo longa vemos os mesmos pais lutando pela vida dentro de um avião em queda. A cena, tensa do início ao fim, dá um gosto do espetáculo quadrinhístico que está por vir – algo no qual o filme original falhou, mas que A Ameaça de Electro entrega com folga. O novo filme, novamente dirigido por Marc Webb, deixa de lado a emulação tosca de Batman Begins e vai atrás do próprio estilo.

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Dá pra considerar este novo filme um reboot dentro do próprio reboot. O primeiro fruto dessa franquia reiniciada buscou um clima realista que não combinava com o personagem e nem com a história que pretendiam contar (que por sinal, era cheia de pontas soltas). O resultado foi um longa-metragem cheio de decisões erradas, genérico e com um vilão tosco. A lição foi aprendida, e a maioria dos erros foi corrigida neste novo filme. A mudança de uniforme é um bom exemplo: sai de cena aquela roupa escura, inspirada em esportes olímpicos e entra uma com a utilizada na primeira trilogia do herói, em cores mais vivas. Essa mudança de cores também se reflete no filme como um todo. O diretor de fotografia do primeiro filme, John Schwartzman, dá lugar a Daniel Mindel, que confere ao longa uma paleta de cores mais leve – em sintonia com clima da produção.

Em O Espetacular Homem-Aranha 2, vemos Peter Parker tendo que lidar com o surgimento do poderoso Electro (Jamie Foxx), o retorno do velho amigo Harry Osborn (Dane DeHaan), e com Gwen Stacy (Emma Stone), com quem tem um relacionamento conturbado por causa de uma promessa feita no filme anterior. Em outras palavras, os dois grandes pilares da obra são a ação e o romance – dois pontos que foram muito melhorados em relação à produção anterior. Falando primeiramente da relação entre Peter e Gwen, tudo agora acontece de maneira mais natural – ao contrário daquela forçação de barra mal resolvida toda vez que eles estavam juntos no filme de 2012. Em A Ameaça de Electro o casal está mais real, mais humano, pois o diretor Marc Webb colocou em prática algumas sutilezas utilizadas pelo próprio diretor em (500) Dias com Ela (2009). Histórias de amor são complicadas por natureza – um “sim” nem sempre é 100% positivo, da mesma maneira que um “não” pode não ser de todo negativo. Há nuances, há recaídas, um tanto de incerteza no ar. Ter a sensibilidade de transportar isso para um filme de super-herói, que precisa atingir diferentes públicos de faixas etárias distintas, é um feito digno de nota.

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Jamie Foxx, que interpreta o vilão principal do longa, rouba a cena toda vez que aparece – seja como o atrapalhado cientista Max Dillon ou já como o azul Electro. O personagem é mais uma prova de que a franquia está tentando se desfarçar daquela ideia boba de deixar tudo o mais realista possível. Enquanto no primeiro filme temos um vilão que fica uma eternidade explicando as propriedades da pele dos répteis, no segundo temos o atrapalhado e ignorado Dillon, que cai num tanque cheio de enguias e ganha poderes. Simples e direto ao ponto, sem tentativas frustradas e inutilmente complicadas de dar razão a tudo como no reboot de 2012. O visual do vilão, completamente azul, lembra o Dr. Manhattan de Watchmen (2009) e se mostra uma boa escolha – seria ridículo se o vilão utilizasse aquela roupa verde e amarela espalhafatosa mais comum dos quadrinhos e desenhos animados. Aliás, mudanças drásticas também podem ser observadas nos outros dois vilões da produção. O Duende Verde agora mostra seu rosto, dando mais destaque à atuação de DeHaan – já o Rino, brevemente interpretado por Paul Giamatti, agora é uma máquina controlada por dentro. Mudanças sensatas e necessárias – afinal, se fosse tudo do jeito que já conhecemos, qual seria a graça de assistir ao filme?

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A porção “Homem-Aranha” do filme está bem servida. Há boas cenas de ação (a luta na Times Square é minha cena favorita) e o protagonista está mais seguro das capacidades que tem – como quando ele chega a assobiar músicas enquanto enfrenta um bandido, ou então quando ele arruma tempo durante um incêndio para vestir um chapéu de bombeiro. Mas nisso, em meio ao espetáculo, a porção “Peter Parker” da história foi deixada de lado. A vida de Peter fora do uniforme se restringe a seus encontros com Gwen Stacy. Numa cena até vemos a Tia May (Sally Field) dizendo que precisa trabalhar mais para pagar a faculdade do sobrinho… Mas em nenhum momento vemos Peter no campus, ou trabalhando, nem nada do tipo. Equilibrar a vida pessoal com os afazeres super-heróicos sempre foi a essência do personagem, e deixar isso de lado faz o Homem-Aranha perder um pouco do seu apelo.

O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro pode ser o segundo episódio da franquia reiniciada, mas é o primeiro a fazer jus ao adjetivo no título. É um filme que preza primeiramente pelo espetáculo, mas que ainda deixa espaço para uma pitada de humanidade. O roteiro, dessa vez com menos pontas soltas, também consegue amarrar na trama a expansão do universo do personagem aracnídeo sem parecer forçado (coisa que a Marvel às vezes ainda faz nos seus filmes próprios). O longa é um daqueles casos em que o a emenda pode, sim, sair melhor que o soneto.

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