Capitão América 2 – O Soldado Invernal | O estilo Marvel de fazer filmes ainda tem fôlego

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O que torna Capitão América 2 – O Soldado Invernal um bom filme não é a originalidade do seu roteiro, mas sim a maneira como ele é executado. Da mesma forma que o seu protagonista é um bom super-herói não por conta dos seus poderes, mas pelos seus atos, o novo filme da Marvel vence por saber equilibrar cenas de ação, clichês e o Universo Cinematográfico Marvel, que se expande a cada filme lançado.

Em primeiro lugar, O Soldado Invernal é um longa-metragem bastante diferente do seu antecessor, O Primeiro Vingador – cerca de 70 anos de história separam os dois filmes. Se o primeiro filme era uma produção de época, cheia de alavancas e tecnologias analógicas, no segundo vemos Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) ainda lutando para encontrar o seu lugar no século 21 (ele até leva consigo um caderninho para anotar as coisas que perdeu). Após os eventos eventos de Os Vingadores, o Capitão começa a trabalhar para a S.H.I.E.L.D. até perceber que a organização está escondendo coisas demais. A situação piora quando um “misterioso” vilão aparece – o tal Soldado Invernal do título -, que aparenta ser tão ou mais forte que o próprio personagem principal.

Usei “misterioso” entre aspas pois qualquer pessoa que conhece um pouco sobre o Capitão América fora das telas sabe a história por trás do Soldado Invernal (não vou contar nada aqui, pode ficar tranquilo se você ainda não viu). Aliás, esse é um grande ponto negativo presente em quase todos os filmes baseados em quadrinhos: as reviravoltas deixam de surpreender que já conhece o material original. Por isso é interessante quando os realizadores decidem alterar o material fonte e surpreender a todos – como aconteceu em Watchmen e, mais recentemente, em Homem de Ferro 3. Dessa forma, as reviravoltas de fato alcançam seus objetivos em todos os espectadores.

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Mas voltemos ao vilão, interpretado por Sebastian Stan. O ator não pode fazer muito pelo personagem no aspecto facial, pois fica coberto por uma máscara durante quase toda a projeção – tal qual Bane em O Cavaleiro das Trevas Ressurge. O Soldado Invernal é a antítese do Capitão: enquanto o protagonista desobedece as ordens da organização que o acolheu em nome da liberdade, o personagem de Stan faz tudo sem questionar e nem sequer abrir a boca. Outro elemento que destaca bem a dicotomia entre os personagens é a trilha sonora, composta por Henry Jackman. Para o Capitão temos composições orquestradas, dignas de um herói vindo da Segunda Guerra Mundial; já para o Soldado Invernal temos uma trilha intensa, rasgada e fulminante, dando o tom ideal às cenas em que ele aparece

captain-america-winter-soldier-poster-black-widow-scarlett-johanssonSe no primeiro filme Steve Rogers tinha a ajuda do Comando Selvagem, nessa sequência ele conta com dois sidekicks: a já conhecida Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o novato Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie). A personagem de Johansson continua sendo a ruiva sensual e misteriosa que luta incrivelmente bem, ou seja, a mesma coisa desde Homem de Ferro 2 (2010), primeira aparição da Viúva na tela grande. Mas isso não chega a ser exatamente um problema. O que me faz olhar torto para a personagem é a falta de uniformidade da espiã ao longo dos filmes. Em todas as produções ela é ruiva, sim, mas cada vez seu cabelo tem um tom diferente – sem nunca parecer verdadeiro. E para uma personagem que não nega as origens russas, a falta de sotaque desperta como algo negativo. Já o Falcão parece ter sido introduzido apenas por motivos de merchandising, já que sua presença pouco influencia o desenrolar da história – mas é preciso reconhecer que suas asas hi tech são um conceito divertido.

Capitão América 2 – O Soldado Invernal foi positivamente beneficiado pela troca de diretores – sai Joe Johnston, homem que nunca teve jeito para filmes de ação, e entram em cena os irmãos Anthony e Joe Russo, egressos da TV. Talvez por conta das origens televisivas, onde o poder criativo é frequentemente subjulgado, os irmãos Russo equilibrar as exigências do estúdio e o que eles de fato queriam fazer para transformar o material que tinham em mãos num bom longa metragem. O fato de que todos os filmes da Marvel Studios estão conectados é o grande calcanhar-de-Aquiles dessa super franquia cinematográfica, isso não é novidade. A boa notícia é que os Russo, junto aos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely, conseguiram deixam esses elementos obrigatórios mais naturais, diferente do visto nos dois filmes anteriores a este. Como o prório Steve Rogers chega a mostrar, forçar limites pré-estabelecidos é um bom caminho para a vitória.

 

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