O Hobbit – A Desolação de Smaug | Novo filme não tem força

hobbit smaug poster

Há alguns anos, o apresentador João Kleber tinha um programa no qual ele ficava guardando uma revelação bombástica até o final, enquanto enrolava os telespectadores sem mostrar nada de relevante durante o programa praticamente inteiro. Ao fim da sessão de O Hobbit – A Desolação de Smaug, me perguntei se o diretor Peter Jackson resolveu virar de vez um discípulo do apresentador brasileiro.

Quando a trilogia Hobbit não passava de um conceito, a ideia era inicial era dividir o livro em dois filmes. Até aí tudo bem – alguns acharam exagero, mas eu achei um bom tamanho, daria para cobrir a história inteira e deixar todo mundo feliz. Isso mudou em julho de 2012, quatro meses da estreia do primeiro filme. Nessa época foi decidido que mais um longa seria feito, então todos voltaram às pressas para filmar mais material. Com essa decisão, acredito que A Desolação de Smaug tenha sido o filme mais prejudicado. Ele precisou ser esticado além da conta, preenchido com cenas inúteis para justificar sua existência, tudo isso enquanto várias de suas cenas iam sendo passadas para o “novo” último filme, Lá e De Volta Outra Vez. O resultado? Não muito bom. Aliás, eu diria que nem chega a ser bom de fato, como o meu sono durante a sessão pôde comprovar.

Em A Desolação de Smaug, continuamos a acompanhar a jornada de Bilbo (Martin Freeman), Gandalf (Ian McKellen) e os treze anões (Thorin, Balin, Dwalin, Bifur, Bofur, Bombur, Fili, Kili, Oin, Gloin, Nori, Dori e Ori) na caminhada até o reino perdido dos anões, que foi dominado pelo terrível dragão Smaug. Pelo caminho, eles encontram… Várias coisas que só servem para deixar a história ainda mais longa. Ok, falando sério, temos alguns elementos interessantes, como os elfos. Por outro lado, também temos que lidar com raças descartáveis, como o troca-peles Beorn (Mikael Persbrandt).

hobbit tauriel legolas

O segundo filme tem muitas novidades quando os elfos são o assunto. Esses seres me fascinam pela visão diferenciada que têm de mundo, já que podem viver até milhares de anos. Os dois principais da história são Legolas (Orlando Bloom), velho conhecido do público que viu Senhor dos Anéis, e Tauriel (Evangeline Lilly), a elfa ruiva que não foi criada por Tolkien e só existe nos filmes – algo que não vejo como um problema, contanto que a personagem funcione. E isso acontece na maior parte do tempo: primeiramente, criamos uma simpatia imediata por ela simplesmente ser a única personagem feminina valente o suficiente para ir à luta. Aliás, valentia é algo que certamente não lhe falta (lembrei até de uma certa princesa da Disney). O que a estraga é um triângulo amoroso completamente dispensável, que traz à memória os piores momentos da Saga Crepúsculo.

Outro personagem novo é o dragão Smaug, enfim revelado ao público. Se tem uma coisa que Peter Jackson e a sua equipe da Weta sabem fazer bem são personagens digitais. Em 2002 tivemos Gollum, 2005 foi a vez de King Kong, e agora temos Smaug para fechar a galeria de seres incríveis criados em computação gráfica. Para dar voz ao monstro foi chamado o ator Benedict Cumberbatch, que dá um tom sombrio e colossal aos vocais da criatura – algo que combina muito bem com a personalidade dela. Smaug é enorme mas nem por isso lento, conhece o perigo que representa e sabe usar isso ao seu favor. Depois de assistir a duas horas de um filme arrastado e vagaroso, foi um prazer ver Smaug dominando a tela.

hobbit smaug olho

No processo de estica-e-puxa que o filme sofreu, o personagem mais prejudicado foi o próprio protagonista da trama. A jornada do pequeno hobbit pelo enorme mundo da Terra-Média é deixada de lado pelo meio mundo de coisas que enchem linguiça no filme. E os anões? Não me canso de dizer que vários deles poderiam ter sido cortados na adaptação cinematográfica. Se o grupo de roteiristas tomou tamanha liberdade de fazer tantas alterações no material original, cortar o número de anões para menos da metade me parece uma opção sensata – além de que seria muito favorável ao desenrolar do enredo.

Contei pelo menos seis cenas que poderiam ser tranquilamente excluídas do corte final do longa. Os inchados 161 minutos de duração passam muito devagar e se torna até óbvio que muitas sequências foram incluídas com o único intuito de aumentar o tempo de projeção. A primeira cena do longa é ótimo exemplo: vemos Gandalf e Thorin (Richard Armitage) conversando sobre uma determinada pedra, detalhando seus efeitos e propriedades. Algumas dezenas de minutos depois o mesmo assunto surge novamente, e as mesmas informações são ditas. Qual a razão disso? Deixar o filme mais longo, só isso. Essa cena inicial que falei poderia ser tranquilamente excluída, pois a tal pedra só se torna importante no terço final de projeção.

hobbit smaug

É difícil falar de O Hobbit sem mencionar a exibição em 48 quadros por segundo, ou High Frame Rate (HFR). A experiência que tive foi a mesma do ano passado: no início, tudo parece estar acelerado. Mas com uns 20 minutos meus olhos se acostumaram e eu pude aproveitar os belos visuais da Terra-Média e apreciar os detalhes que só o HFR permite. Não acredito que uma taxa maior de quadros possa tirar o “visual cinematográfico” de uma obra. Há muitos fatores que influenciam nisso, mas a taxa de quadros não é um deles.

O Hobbit – A Desolação de Smaug é uma oportunidade perdida. O primeiro filme foi bom (apesar dos defeitos) por ter um clima mais leve. Já a segunda parte da história, ao apostar mais num clima sombrio, fica chata. Vale reforçar que essa é provavelmente a penúltima vez que veremos o universo criado pelo escritor J. R. R. Tolkien nas telas, e é triste ver algo tão rico ser retratado em outra mídia de forma tão descuidada.

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2 ideias sobre “O Hobbit – A Desolação de Smaug | Novo filme não tem força

  1. zero

    rapaz, eu gostei do filme mas concordo que o mesmo ficou muito longo e por consequência perdeu o brilho.Eu acredito que o melhor do filme possa ser as ligações com o a trilogia senhor dos aneis(criada pelo diretor) e claro o grandioso dragão que na minha, humilde opinião, acredito ser o melhor dragão já feito no cinema. Fica a dica para conferir aventura que vale apena apesar de ser bastante longa, na expectativa do ato final. obs: excelente critica.

    Resposta
    1. Pedro Maximino Autor do post

      Opa, obrigado pelo elogio o/

      Sobre o filme, dava pra ter deixado a história mais simples. Mas quiseram enfiar Senhor dos Anéis em O Hobbit, aí deu no que deu. Se pelo menos tivessem feito direito…

      Resposta

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