A tensão reina no filme “Gravidade”

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Muito do que se pode falar sobre Gravidade encontra-se nos primeiros minutos de projeção. Vemos a frase “a vida no espaço é impossível”, e logo depois o filme começa, com Sandra Bullock, George Clooney e equipe do lado de fora da nave espacial, fazendo atividades de rotina. Devido à frase exibida antes, tomamos plena consciência do seguinte fato: eles não deveriam estar ali. Eles estão quebrando uma lei natural, algo imutável e implacável. Como se isso já não fosse o bastante para dar o clima de tensão, temos a poderosa câmera do diretor Alfonso Cuarón passeando para lá e para cá, solta pelo espaço mas sempre nos lugares certos.

No filme somos apresentados a dois astronautas, Ryan Stone (Bullock) e Matt Kowalski (Clooney), que possuem personalidades bastante distintas entre si. Ryan é a personagem principal, uma mulher insegura que traz muitos traumas do passado e está em sua primeira missão espacial. Já Matt é um astronauta experiente que adora conversar, e em geral está sempre tranquilo. Aliás, a tranquilidade de Matt é um dos “gatilhos de tensão” de Gravidade. Toda vez que ele assume um semblante mais sério ou nervoso, temos certeza de que a situação está prestes a mudar para pior.

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Apesar do total de sete personagens, Ryan e Matt são os únicos que vemos em tela, o que significa que seriam necessárias boas atuações para que o filme segurasse as pontas com um elenco tão diminuto. E as escolhas não poderiam ter sido mais acertadas: Matt Kowalski é um típico galã, característica que já faz parte da persona de Clooney. No caso da personagem Ryan, a opção por chamar Bullock para o papel se justifica porque não é comum vermos a atriz em filmes desse tipo. Ela é mais conhecida pelas comédias (Miss Simpatia, A Proposta, Maluca Paixão, etc) e tem a tendência de errar quando escolhe papéis dramáticos (como no fraco Um Sonho Possível, que inexplicavelmente lhe rendeu um Oscar). Então, à medida que Ryan vai passando por situações cada vez mais extremas, eu me peguei na maioria das vezes pensando será que Sandra Bullock consegue? em vez de será que Ryan consegue?. Ao contrário do que acontece com Clooney, no caso de Bullock a escolha se mostra acertada por colocar a atriz fora do seu campo de conforto – a mesma situação que vive a sua personagem.

O longa-metragem anterior de Alfonso Cuarón foi o aclamado Filhos da Esperança (2006), quem tem algumas semelhanças com Gravidade. A mais óbvia delas talvez seja a saga dos protagonistas de ambos os filmes, que passam por situações extremas e por uma jornada de auto-conhecimento. Mas uma característica que marcou bastante o filme de 2006 foram os belos planos-sequência qe davam o clima de tensão necessário para o filme. Agora, em Gravidade, Cuarón faz uso dos recursos digitais e do cenário livre para criar longos planos sem cortes, mas um dos “gatilhos de tensão”. Em determinada cena, a câmera acompanha um personagem de longe, até que vei se aproximando, se aproximando, se aproximando… Até que ela está DENTRO do capacete do personagem, com direito inclusive ao reflexo do rosto dele no vidro. Coisa linda.

Gravidade

É a segunda vez que falos de gatilhos de tensão nesse texto, já é hora de me alongar um pouco mais sobre eles. O roteiro, escrito pelo diretor Alfonso Cuarón em colaboração com seu filho Jonás, utilizam uma série de elementos para manter a tensão firme do começo ao fim. Não posso falar muito nisso para não entrar em spoilers – basta dizer que são coisas como o oxigênio da roupa de um astronauta e o combustível do jetpack de outro. Esses gatilhos se equilibram, por vezes um é deixado de lado pois o perigo do outro é mais iminente, mas a “sombra” desses gatilhos fica na cabeça do espectador, gerando o constante clima de tensão.

Curioso como duas das produções americanas mais surpreendentes deste ano, são, na verdade, de diretores estrangeiros. Guillermo del Toro mostrou pra todo mundo como se faz um filme como robôs gigantes em Círculo de Fogo, e agora Cuarón fez um suspense espacial quem em nada deve aos outros dois grandes filmes desse sub-gênero feitos por diretores norte-americanos (2001 – Uma Odisséia no Espaço e Contato). Sem dúvidas, um dos grande favoritos ao Oscar de Melhor Filme.

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Uma ideia sobre “A tensão reina no filme “Gravidade”

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