Siba no Dona Lindu

siba-avante

Tive duas experiências bastante desagradáveis em shows este ano. A primeira foi em janeiro com o Tamandaré Fest – aposto a senha do blog como existem chiqueiros mais higiênicos que aquele lugar. A segunda foi durante o São João da Capitá, onde minha pirangagem quase me custou uma ida ao hospital. Mas essas são histórias para outro dia. A questão é que, após essas experiências traumáticas, coloquei na minha cabeça que eu não gosto de ir pra show. Mas essa ideia foi por água abaixo (ainda bem!) depois da apresentação de Siba no penúltimo domingo de setembro (22/09).

siba

O show estava marcado para começar às 18h30. Mas como todo brasileiro que se preze, eu sabia que ia atrasar. Aqui, tudo atrasa: obras (públicas e privadas), sessões de cinema (haja trailer e propaganda) e claro, shows. Saí de casa na hora que a performance deveria começar, e ao chegar ao Parque Dona Lindu os preparativos ainda estavam sendo feitos. Fui dar uma volta para ver o que mais estava acontecendo de bom, mas a movimentação fora da área do palco era a de um típico domingo – crianças passeando de bicicleta/patins/patinetes tentando não ralar os joelhos no concreto excessivo do parque; a turminha V1D4 L0KA do skate, que se acham bonzões mas só fazem as manobras mais básicas; e os vendedores de alimentos de procedência duvidosa que cobram preços altos por acharem que todo mundo de Boa Viagem é rico (ah, o engano…). Diferente mesmo, tinha só um maluco de monociclo.

Ouvi um aviso vindo do palco e pra lá voltei. Já passava das 19h quando Siba e banda entraram no palco para tocar Preparando o Salto, a música que abre o álbum mais recente do cantor, Avante. Na mesma hora qualquer resquício de causado pelo atraso foi embora, pois Siba é daqueles que sabem fazer uma apresentação ao vivo, cativando a galera desde o primeiro momento. Todos os cinco integrantes da banda ficaram bastante próximos uns dos outros na performance, deixando o grupo pequeno perante  enorme palco do Dona Lindu. Não sei se foi proposital, mas essa formação me pareceu a perfeita ilustração do que Siba está fazendo no cenário musical: enquanto muitos nomes famosos da música têm amplo espaço para divulgar suas canções sem conteúdo, o pernambucano aproveita o relativo pouco espaço que tem para divulgar composições cheias de riqueza poética.

Durante a primeira música deu pra sentir uns leves pingos de chuva, mas foi a partir da segunda, Big Brother Mental, que o toró caiu com força. Algumas poucas pessoas trouxeram guarda-chuvas, mas a grande desafortunada maioria (eu no meio) teve que tentar a sorte na parte coberta do parque – ideia essa que se mostrou ineficaz devido aos fortes ventos que empurravam a água para cima da platéia de qualquer jeito. Será que Oscar Niemeyer, o arquiteto do parque, não pensou nisso quando estava planejando uma obra que ficaria na… erm… BEIRA DA PRAIA? Mas Siba não desanimou, dizendo que “com chuva ou sem chuva, isso aqui ainda vai durar muito tempo!”, renovando a alegria de quem estava lá.

E falando na plateia, ela era formada por gente de diversas tribos. Havia a turminha jovem de Boa Viagem (ou pelo menos a parte dela que escuta algo além dos hits estadunidenses); os curiosos das redondezas, que não conheciam Siba, mas foram atraídos pelo som legal; e uma galera “alterna” composta por caras da minha idade que usavam barbas grande e mal cuidadas, como se estivessem fantasiados de Matusalém – ser alternativo não é sinônimo de ser anti-higiênico, fica o aviso. Entre os indivíduos de destaque estavam: o maluco do monociclo, que levava seu “meio de transporte” nas mãos pra cima e pra baixo; uma garota que dançava empolgadíssima de olhos fechados, sem perceber que estava respingando água em todos ao seu redor; e um ruivo. Sim, um ruivo. É mais fácil encontrar um trevo de sete folhas que uma pessoa naturalmente ruiva em Recife!

sibaclipe

(Agora que parei pra pensar, quem me viu lá deve ter achado muito estranho um sujeito andando pra cima e pra baixo com um bloco na mão, fazendo anotações. Seria eu o “maluco do bloquinho”?)

Acredito que o objetivo maior de Siba nesse show tenha sido conquistar mais pessoas com sua música. E deu certo – eu, por exemplo, só conhecia Avante. E mesmo com a apresentação tendo foco nesse CD, sobrou muito espaço para tocar bastante coisa da época do Fuloresta e da parceria com Barachinha. Por sorte, no Mundo Siba tem a discografia completa para download oficial e gratuito. Aí está uma ótima chance de conhecer o trabalho desse artista pernambucano arretado!

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