Os relógios do futuro

smartwatch

Os relógios de pulso têm uma história interessante. Foram criados no século 19 como acessórios exclusivamente femininos, pois de acordo com as convenções sociais os homens só usavam aqueles relógios com correntes, que eram guardados nos bolsos. A situação só foi mudar quase cem anos depois, quando Santos Dumont precisou de um relógio desses para ver as horas enquanto pilotava. Dessa forma, o pai da aviação também foi responsável pela popularização do acessório entre homens.

Agora, nessa segunda década dos anos 2000, o relógio de pulso dará um novo passo, um passo rumo à inteligência. Vem aí a era dos smartwatches.

Ouvir música, receber chamadas, enviar SMS, escrever tweets, acessar mapas, usar GPS… Tudo (ou quase tudo) o que você faz no smartphone está sendo trabalhado nesse exato momento para ser possível em relógios de pulso.

A década passada presenciou uma mudança completa na forma como enxergávamos os celulares. Antes, eles eram aparelhos simples, se limitando a fazer ligações e enviar mensagens – e se você pudesse desembolsar um pouco a mais, podia até levar um que tirasse fotos com resoluções baixíssimas. Tudo mudou com o lançamento do iPhone em 2007, que deu início à corrida dos smartphones. A partir daí, os celulares se tornaram a materialização do antigo sonho dos computadores de bolso, com acesso remoto à internet, câmeras de boa qualidade e um número sem fim de utilidades.

Hoje, smartphones são coisa do dia-a-dia. Há modelos para todos os gostos de bolsos, e é bem fácil encontrar gente acessando o Facebook remotamente em qualquer lugar por aí. O mercado está consolidado. O que fazer agora? Investir nos relógios, é claro.

Os chamados smartwatches vêm para fazer parte de um novo movimento chamado de wearable technology (ou “tecnologia vestível”, do inglês), e é exatamente o que o termo indica: agora não apenas usamos tecnologia, como podemos utilizá-la em nosso corpos! O maior exemplo atual disso é o Google Glass, o óculos hi tech do Google que mais parece saído de alguma ficção espacial.

É fácil afirmar que os relógios inteligentes irão demorar a se popularizar. Isso acontecerá porque no começo eles serão caros, e não irão funcionar tão bem quanto deveriam – mas qual tecnologia moderna não começou assim?

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Esse aí em cima é o Sony SmartWatch, um exemplo perfeito do que falei no parágrafo anterior. A ideia está lá, mas a execução é péssima: a lista de compatibilidade com outros aparelhos é pequena; a tela é de baixa luminosidade, dificultando enxergá-la em locais ensolarados; o aparelho exige conexão bluetooth constante com o smartphone (drenando a bateria toda!), senão para de funcionar; poucos aplicativos próprios (e os existentes muitas vezes dão problema)… Acho que já deu pra ter uma ideia da quantidade de erros cometidos pela gigante japonesa.

Do outro lado da moeda, ainda nesse primeiro momento da “guerra dos smartwatches”, temos a Pebble Technology com seu Pebble. Essa empresa tem origens mais humildes, e seu projeto de relógio inteligente foi financiado via Kickstarter (site de financiamento coletivo) após uma campanha de sucesso onde arrecadou mais de dez milhões de dólares – sendo que o objetivo da empresa era conseguir apenas cem mil! O aparelho foi lançado em janeiro deste ano até mês passado vendeu mais de oitenta e cindo mil unidades.

O Pebble acerta em muitos elementos que o Sony SmartWatch erra feio. A tela dele possui tecnologia e-paper, que facilita a visibilidade mesmo com forte luz solar. Mas o grande chamariz do Pebble é a compatibilidade – ele é o primeiro smartwatch compatível com ambos iOS e Android, o que já lhe dá uma enorme dianteira.

Mas o grande problema tanto do Sony SmartWatch quanto do Pebble é a constante denominação dos aparelhos como extensões dos smartphones. Veja bem, nossos celulares funcionam como extensões do nosso corpo: nos comunicar com qualquer pessoa em qualquer lugar é uma “habilidade” só possível com eles. Então chegam as empresas de tecnologia oferecendo… Extensões das extensões? Isso não faz muito sentido. Os relógios inteligentes também deveriam ser independentes – ter armazenamento próprio, conexões próprias, chip SIM próprio (e do jeito que eles são pequenos hoje, isso é sim possível).

Ainda é cedo para tirar qualquer conclusão definitiva a respeito dos smartwatches. Do jeito que está agora não há nada de muito empolgante, mas é um mercado novo, e nem a ponta do iceberg foi totalmente explorada. O jeito é esperar as outas empresas entrarem no mercado – Google, Samsung e Apple são algumas das que já confirmaram o desenvolvimento dos seus próprios relógios inteligentes – pra ver o que acontece.

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